

Interpretado por Fernanda Machado
Maria é uma jovem estudante universitária que se torna a ligação emocional entre o mundo civil e o mundo policial em Tropa de Elite. Namorada de Neto e próxima de Matias no ambiente da faculdade, Maria representa a perspectiva de quem vive fora da guerra urbana mas é diretamente afetada por ela.
Na universidade, Maria faz parte do círculo de estudantes de classe média que frequentam as aulas de Direito junto com Matias. Ela é sensível, inteligente e genuinamente preocupada com questões sociais — mas sua visão de mundo é inevitavelmente limitada pela distância que a separa da realidade das favelas e do cotidiano policial.
O relacionamento de Maria com Neto coloca em evidência o contraste entre o idealismo acadêmico e a brutalidade prática do combate ao crime. Enquanto Maria discute teorias sobre justiça social na universidade, Neto arrisca a vida enfrentando traficantes armados nas vielas das favelas.
Maria também funciona como uma ponte narrativa entre Matias e o mundo universitário. É através dela que parte da tensão entre a vida dupla de Matias se manifesta, já que Maria conhece ambos os lados de sua existência.
A presença de Maria no filme humaniza os protagonistas masculinos. Ela mostra que por trás dos policiais endurecidos existem homens com vínculos afetivos, medos e vulnerabilidades que o uniforme não consegue esconder.
Sua trajetória no filme acompanha a escalada de violência: à medida que os eventos se tornam mais dramáticos, Maria é forçada a confrontar a realidade de que as pessoas que ama vivem constantemente entre a vida e a morte.
Maria aparece no filme principalmente nos cenários universitários e nos momentos de intimidade com Neto. Ela é apresentada como uma jovem alegre e engajada, que contrasta com a atmosfera sombria e violenta do restante da trama.
Na universidade, Maria convive com estudantes que romantizam a favela e consomem drogas de forma recreativa, sem perceber as consequências sociais de seus atos. Ela ocupa uma posição intermediária: não é tão ingênua quanto alguns de seus colegas, mas também não compreende plenamente a realidade que Neto e Matias enfrentam.
À medida que a trama avança, Maria se torna cada vez mais consciente dos riscos que Neto corre. As despedidas antes das operações, as ligações que podem ser as últimas, a constante incerteza — tudo isso pesa sobre o relacionamento.
Os eventos trágicos do filme atingem Maria de forma devastadora, transformando-a de observadora periférica em vítima direta da violência que permeia toda a narrativa.
Maria é fundamental para o equilíbrio emocional de Tropa de Elite. Sem ela, o filme seria uma sequência ininterrupta de ação e tensão sem pausas para a humanidade dos personagens respirar.
Ela representa o público — alguém de fora do mundo policial que tenta entender e conviver com uma realidade que não escolheu. Através de Maria, o espectador se conecta emocionalmente com os protagonistas de uma forma que a narrativa em primeira pessoa de Nascimento, por si só, não permitiria.
O personagem também é importante para a crítica social do filme. Maria faz parte do meio universitário que o filme questiona — a classe média que consome drogas e critica a polícia sem se dar conta de sua própria contradição. No entanto, diferente de outros personagens desse universo, Maria demonstra empatia genuína e capacidade de enxergar além dos estereótipos.
Fernanda Machado trouxe ao papel uma sensibilidade que torna Maria memorável apesar de seu tempo de tela relativamente limitado em comparação com os protagonistas masculinos.